Equipe técnica visita duas unidades espanholas e troca experiências sobre engenharia, arquitetura, equipamentos e operação clínica
Uma delegação da Fundação Severino Sombra (FUSVE) cumpre, nesta segunda e terça-feira (31 de agosto e 1º de setembro), uma missão técnica na Espanha para conhecer de perto diferentes etapas de implantação e operação de centros de protonterapia. O objetivo é acompanhar projetos em construção e instalação de equipamentos, além de conhecer unidades já em funcionamento, ampliando o intercâmbio de experiências que possam contribuir diretamente para o planejamento do Centro de Protonterapia Mário Kroeff (CPMK), que será implantado na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.
A escolha da Espanha é estratégica. O país vive um dos maiores movimentos de expansão da protonterapia na Europa, com dez equipamentos previstos para instalação em sete comunidades autônomas no âmbito de um programa do Sistema Nacional de Saúde espanhol. Esse cenário oferece à equipe brasileira a oportunidade de acompanhar projetos em diferentes fases, identificar desafios antes que eles se apresentem no empreendimento brasileiro e conhecer soluções e boas práticas relacionadas à construção, instalação, integração dos equipamentos e preparação para a operação das unidades.
Liderada pelo presidente da FUSVE, Gustavo Oliveira do Amaral, a missão reúne profissionais de diferentes áreas envolvidas na implantação do Centro de Protonterapia Mário Kroeff, como gestão, radioterapia, projetos, engenharia, arquitetura e relações internacionais. Integram a delegação engenheiros da Amazônia Azul Tecnologias de Defesa (AMAZUL), parceira da Fundação na preparação da RFP para a contratação do projeto de engenharia do Centro de Protonterapia; arquitetas da RAF, responsáveis pelo projeto do edifício; representantes da AureaMedic, líder na América Latina em construção de bunkers para radioterapia; e profissionais da FUSVE: o diretor de Radioterapia, Helio Salmon; o gerente de Projetos, Jesse Cordeiro; o coordenador de Projetos, Patrick Figueiredo; o assistente de Projetos, George Feldhaus Filho; a assessora de Relações Internacionais, Stephanie Amaral; os conselheiros estratégicos Raphael Albergarias e Adriano Werneck; e o reitor da Universidade de Vassouras, Marco Antonio Soares de Souza. A programação é acompanhada por executivos e especialistas da Ion Beam Applications (IBA), empresa responsável pelo sistema de protonterapia que será instalado no Brasil. A composição multidisciplinar permite que as informações observadas durante a missão sejam analisadas sob diferentes perspectivas e incorporadas às próximas etapas do projeto.
A agenda começou nesta segunda-feira, em Madri, com uma reunião técnica com a equipe da IBA, dedicada à apresentação do projeto e à discussão de aspectos relacionados ao gerenciamento, projeto e implantação da unidade. Na sequência, a delegação visitou o Centro de Protonterapia do Hospital Universitario de Fuenlabrada.
Nesta terça-feira, o grupo segue para Valência, onde conhecerá o Centro de Protonterapia do Hospital Universitari i Politècnic La Fe. A visita integra uma programação que permite à equipe brasileira observar outra etapa de implantação de uma unidade de protonterapia e trocar experiências com os profissionais envolvidos no empreendimento.
Conhecimento técnico aplicado ao projeto brasileiro
A missão ocorre em uma etapa importante de preparação do Centro de Protonterapia Mário Kroeff. O projeto prevê a implantação, no Brasil, de um sistema Proteus®ONE, da IBA, com atenção prioritária ao tratamento de câncer pediátrico. Em junho de 2026, a IBA anunciou a assinatura do contrato com a FUSVE para o fornecimento do equipamento, que será instalado na Barra da Tijuca.
A participação da AMAZUL na missão também está relacionada às próximas etapas do empreendimento. A empresa apoia a FUSVE na preparação da RFP (Request for Proposal) para a contratação do projeto de engenharia do Centro de Protonterapia, contribuindo para uma etapa fundamental da estruturação técnica do empreendimento.
O contato com projetos internacionais em diferentes fases de implantação permite à equipe brasileira observar, na prática, como decisões de engenharia, arquitetura, instalação tecnológica e integração entre infraestrutura e equipamentos são conduzidas. A expectativa é que essa experiência contribua para antecipar desafios, aprimorar o planejamento e incorporar boas práticas ao projeto do CPMK.
Avanço no licenciamento
O projeto também avançou em sua etapa regulatória. Em julho de 2026, a Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) assinou a Aprovação Prévia do Local (APL) do Centro de Protonterapia Mário Kroeff, primeira autorização dessa natureza emitida para uma instalação destinada à terapia por feixe de prótons no país. O marco representa um avanço importante no processo regulatório necessário para a implantação do empreendimento.
Parceria com o INCA
A FUSVE também está em tratativas para formalizar um termo de colaboração com o Instituto Nacional de Câncer (INCA). A iniciativa busca estabelecer as bases para o futuro encaminhamento de pacientes ao Centro de Protonterapia Mário Kroeff, fortalecendo a integração do novo serviço à rede de atenção oncológica.
Um projeto pioneiro no Brasil
O Centro de Protonterapia Mário Kroeff será o primeiro centro de protonterapia do Brasil. O projeto prevê a implantação de um sistema Proteus®ONE, da IBA, com foco prioritário no tratamento do câncer pediátrico e previsão de um roadmap para uma possível segunda sala de tratamento. A expectativa é de início dos atendimentos em 2030.
A protonterapia é uma modalidade avançada de radioterapia que utiliza feixes de prótons para atingir tumores com alta precisão. A tecnologia permite uma distribuição mais localizada da dose de radiação, reduzindo a exposição dos tecidos saudáveis ao redor do tumor, característica especialmente relevante em determinados tratamentos pediátricos.
A experiência observada na Espanha integra, assim, uma etapa importante da preparação do projeto brasileiro: conhecer na prática como centros de protonterapia são concebidos, construídos, equipados e preparados para entrar em operação.
